sexta-feira, 15 de maio de 2009

Especial - Uma floresta tão rica em um solo tão pobre

A riqueza da floresta Amazônica concentra-se em uma fina camada do solo superficial formada a partir da decomposição de folhas, galhos, frutos, além de animais mortos, que formam uma rica matéria-orgânica, de acordo com o pesquisador Doutor em solos e plantas Paulo Cezar Teixeira.



A serrapilheira sustenta a exuberância da floresta Amazônica, é uma fina camada de solo superficial formada a partir da decomposição de folhas, galhos, frutos, além de animais mortos, que formam uma rica matéria-orgânica.

A Amazônia é a maior floresta tropical úmida do planeta, com cerca de 5,5 milhões de km², sendo que 3,3 milhões estão em território brasileiro. O restante se divide entre Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Localizada na Região Norte do país, abrange cerca de 47% do território nacional. Já a Amazônia Legal, criada em 1966, engloba uma área total de 4,9 milhões de km², ou 60% do território nacional. A região que abriga a Amazônia é caracterizada pelas altas temperaturas, grandes volumes de chuvas e enorme quantidade de rios; fatos que garantem que essa seja a maior floresta equatorial do mundo. Apesar da exuberância apresentada pela floresta, os solos nos quais está fixada não possuem grande riqueza em nutrientes O solo amazônico é bastante pobre, contendo apenas uma fina camada de nutrientes.
Mas, como um solo tão pobre pode ter uma floresta tão rica? A resposta para essa pergunta é só uma, e quem nos responde é o pesquisador doutor na área de solo e plantas, Paulo Cezar Teixeira, que diz que toda riqueza da floresta Amazônica não está no solo e sim na própria floresta. “Essa floresta que ao longo desses milhões de anos está aí exuberante, se mantém porque existe uma rede muito eficiente de manutenção desses nutrientes no sistema que é a formação no solo de pequena camada de decomposição, de no máximo 5 cm de folhas, galhos e animais mortos, que rapidamente são convertidos em nutrientes e aproveitados antes da lixiviação”, afirma o pesquisador.
Essa fina camada fértil é oriunda da própria floresta, nela os organismos (insetos, fungos, algas e bactérias) vivos reciclam os nutrientes dispostos no ambiente. Além disso, outros fatores contribuem para o processo, como a temperatura, que permanece alta o ano todo; a enorme umidade relativa do ar presente na região e a restrita variação do clima. Tudo isso garante a sustentação da floresta.
Outro fato que garante a riqueza dessa floresta são os rios, uma vez que em suas margens podemos encontrar solos mais férteis, conhecidos como várzea, onde a capacidade de produtividade é constantemente renovada todo ano. Nelas são acumuladas grandes quantidades de nutrientes trazidos pelas águas em períodos de cheias, especialmente vindos de áreas próximas à Cordilheira dos Andes, onde nasce o rio Solimões, visto que esses nutrientes só são encontrados nos rios de águas barrentas, característica do rio Solimões. Ainda são encontrados solos férteis em restritas áreas da região da Amazônia, com destaque para os estados de Rondônia e Acre.
Para o pesquisador, Paulo Cezar, de uma maneira geral, existem 16 elementos químicos necessários e essenciais para o crescimento das plantas, só que desses 16, 13 são fornecidos pelo ar e pela água, que seriam o carbono que as plantas conseguem assimilar da atmosfera via o processo de fotossíntese, onde elas têm que capacitar energia do sol e transformar o CO² absorvido pelas folhas em matéria orgânica em fonte de carbono assimilado. “Então nós temos esses três elementos, o carbono, o hidrogênio e o oxigênio. Os demais elementos elas retiram no solo, como exemplo nós temos o nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio” explica Paulo Cezar.
O solo de terra firme tem uma baixa quantidade desses nutrientes, então o suporte para o crescimento das plantas não é adequado sem que tenha um manejo, sendo que as culturas amazônicas já são adaptadas a essas condições de solos mais pobres. Tem plantas que conseguem produzir com pouca quantidade de nutrientes, então elas se adaptam as condições desses solos, mas têm outras que não, exigindo assim, uma quantidade grande de nutrientes e com isso elas são poucas adaptadas a região. Como as maiorias dos agricultores da região utilizam de baixa tecnologia eles não fornecem a quantidade necessária de adubos ,seja ele químico ou orgânico, exigida das plantas, acarretando prejuízo, uma vez que esse solo não suporta o crescimento daquela planta.
Para que não ocorra esse prejuízo o agricultor precisa saber se o solo que ele está utilizando é adequado para o que ele quer plantar. Com base nisso, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, conta com um laboratório de análise do solo, que tem por objetivo conhecer os solos, saber qual é a real capacidade dele, saber como é o comportamento daquele solo em um determinado local e porque sua fertilidade é variada. Com base nisso é feita as análises nas áreas em que se pretende realizar atividades agrícolas.
Por meio de uma análise feita pela Embrapa, se pode atestar a qualidade de um solo, a mesma oferece o serviço de análise simples pelo valor de R$ 16,00 e a completa por R$ 32,00. Para que isto possa ser realizado é necessário que se entregue uma amostra do solo ao Instituto, além do preenchimento de uma ficha no serviço de atendimento ao cliente – SAC da Embrapa, situada na Rodovia AM-10, Km 29. Caixa Postal 319 - Manaus/AM- Brasil - 69048-660. Mais informações pelo telefone: (92) 3621-0300.


Fotossíntese

Você sabe como se originou o solo amazônico?

Esta pergunta com certeza deve ter lhe levado a pensar várias respostas. Sendo que, a ciência que estuda o solo, Pedologia, atesta que o mesmo resulta da mistura de certos elementos da natureza, assim como a rocha intemperizada, o ar, a água e a matéria orgânica, oriundas do chamado intemperismo. Tal acontecimento originou o solo amazônico, por meio da ação de agentes físicos, como temperatura, umidade e etc.. Além dos químicos e biológicos, que atuaram sobre as rochas dos escudos e dobramento andino. Desta forma, servindo como material para a formação da bacia sedimentar existente na região.
Até hoje este fenômeno se repeti, uma vez que detritos são transportados pelos rios da região. Por esta razão, que o solo amazônico é classificado quanto à origem, como aluviais ou azonais (detritos transportados pelos rios, ventos, chuvas, etc.). Vale salientar que, os solos aluviais podem ser encontrados tanto nos terrenos do baixo platô ou terra firme, estes apresentam uma pequena quantidade de húmus, assim como na várzea, considerada fértil por indicar um teor relevante de elementos nutrientes, que são restos orgânicos e minerais após o período da cheia.
A título de curiosidade o solo e as rochas sofrem alterações pelas erosões, que são desgastes ocasionados pela ação das águas dos rios (fluvial), das chuvas (plural) e dos ventos (eólica) que carrega areia para outros lugares. Nos barrancos, as águas dos rios batendo forte, provocam os deslizamentos de terras (terras caídas), que são levadas pelas correntezas.








Equipe: Conhecimento em Foco
Integrantes: José Américo Viana, Samuel Magalhães, Taniamara Freitas e Tuanny Lima.
Turma CJN05S1.

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